Usina solar gera renda extra a investidores

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Além de benefícios ambientais, energia limpa vira oportunidade de investimento com rentabilidade bem melhor que a do mercado financeiro

Desde agosto do ano passado, o servidor público e ex-vereador de Tamarana Renan Leal vem recebendo uma renda extra mensal de cerca de R$ 6 mil. Meses antes, ele havia vendido uma casa e investido R$ 390 mil na construção de uma usina solar no sítio do pai, localizado naquele município que fica a 55km de Londrina. “O investimento que eu fiz é no valor de uma casa, mas a renda é cinco vezes mais que o aluguel dessa casa”, afirma.

A expansão rápida da energia solar, além de beneficiar consumidores e o meio ambiente, tornou-se uma oportunidade de investimento que promete gerar rentabilidade de 1,5% ao mês, bem acima dos produtos financeiros disponibilizados no mercado.

A legislação brasileira não permite a venda da energia gerada pelos particulares. Mas admite o aluguel de usinas. O negócio é realizado por meio de associações ou cooperativas que locam essas usinas e destinam a energia produzida com desconto a seus associados.

Quando decidiu investir no projeto, o servidor público fechou contrato de dez anos, renováveis por mais dez, para fornecer a energia a uma das maiores cooperativas do Brasil. “Se você tiver um bom planejamento, dá para sobreviver só com a renda da usina”, avalia.

Com 200 placas fotovoltaicas, a usina de Leal ocupa um espaço de 1.200 metros quadrados. A obra durou apenas três meses. Com o rendimento mensal, Leal calcula que terá compensado o investimento no período de cinco anos.

“Dá muito medo, porque é um negócio muito novo e investir um dinheiro desse gera preocupado”, declara. Ele só se sentiu aliviado quando o dinheiro começou a cair todo mês na conta bancária.

Leal aconselha quem pensa em fazer o mesmo que ele a estudar bastante o assunto e procurar uma cooperativa idônea. “Tem de procurar uma que tem solidez no mercado, que não seja aventureira, que não vai desaparecer”.

Usina construída por investidor em sítio em Tamarana tem 200 placas voltaicas em 1,2 mil m2: rentabilidade de 1,5% ao mês. Foto: Divulgação.

Mínimo de R$ 100 mil

Há cinco anos, Júnior Milaré foi um dos fundadores da Canal Verde Cooperativa de Energia, em Maringá. Ele explica como funciona o negócio: “Esse investidor vem até nós. A gente desenha um empreendimento fotovoltaico para ele instalar num telhado, num terreno que não está usando, numa propriedade rural”, exemplifica.

Na cooperativa fundada por Milaré, os investidores têm uma rentabilidade mínima de 1,25% ao mês. E é possível fazer investimentos em usinas solares a partir de R$ 100 mil.

No mínimo, é necessário ter disponível um telhado com 150 metros quadrados. “Nesse telhado, dá para fazer um investimento de R$ 100 mil e o investidor vai ter uma renda média mensal em torno de uns R$ 1.300”, explica.

Quem tem mais dinheiro para investir e mais área para instalar painéis fotovoltaicos vai ter mais rentabilidade. O empresário dá o exemplo de um investimento de R$ 290 mil. “Se você investe esse valor numa usina, ela te dá por mês R$ 5.500 em média. Onde você vai comprar uma casa por R$ 290 mil para te dar um aluguel de R$ 5.500 por mês?”, compara.

Para uma usina de R$ 290 mil, é necessário um telhado de 500 metros quadrados ou uma área de 1.200 metros quadrados, no caso de a instalação ser feita diretamente no solo.

Atualmente, a cooperativa maringaense tem contrato de locação com 270 usinas. Esse número deve chegar a 400 no fim do próximo ano.

Júnior Milaré. Foto: Canal Verde Cooperativa de Energia.

Condomínio barateia conta de luz com cooperativa

Na outra ponta do negócio, estão os cooperados – pessoas físicas ou jurídicas que não têm espaço ou condições de investir em energia solar, mas que buscam uma fatura mensal mais barata.

É o caso do Condomínio Premiatto, localizado na Gleba Palhano, em Londrina, que se associou à Cooperativa Canal Verde e goza de um desconto de 15% em relação ao valor que pagava antes para a Copel. “Não tive trabalho nenhum, não precisei fazer reforma nenhuma, não precisei mexer em nada e já tive uma economia de R$1.500 na conta”, conta o vice-síndico Reilly Lopes. “A gente está bem satisfeito”.

Tão satisfeito que o condomínio incluiu os apartamentos na cooperativa. A partir de agora, as famílias também passam a ser cooperadas e terão desconto de 15%.

Antes de se associar ao condomínio, Lopes diz ter procurado outras cooperativas que ofereceram descontos menores ou não pareceram tão confiáveis. “O único trabalho que eu tive foi de assinar o papel, escanear e mandar digitalizar.”

Embora quem produz a energia sejam as usinas montadas pelos investidores, a Copel segue como responsável pela distribuição. E os cooperados passam a receber duas faturas. Em uma, pagam a taxa mínima e os impostos para a concessionária estadual. E, na outra, pagam a energia consumida no mês para a cooperativa.

Copel solar também oferece energia mais barata

Nas últimas semanas, a Copel concluiu as obras das três primeiras usinas de geração de energia solar do programa Copel Solar. Elas ficam em Sarandi, na Região Metropolitana de Maringá, em Reserva do Iguaçu, no Centro-Sul do Estado, e em Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro.

Com 15% de desconto na fatura, o Copel Solar destina sua produção a um grupo específico de clientes da companhia – pessoas físicas ou jurídicas – que tenham consumo mensal a partir de R$ 400 e estão ligadas à baixa tensão.

Quem tiver interesse, precisa aderir ao programa no site www.copel.com/site/copel-solar/   . Neste endereço, é possível fazer simulações de economia e seguir o passo a passo para adesão 100% digital.

Mas a capacidade do programa ainda é bem restrita. E somente a usina de Santo Antônio da Platina, cujas obras terminaram no último final de semana, ainda aceita adesões. No total, ela vai atender cerca de 450 clientes da Copel.

As unidades de Sarandi e Reserva do Iguaçu já estão com os clientes definidos. São 200 na primeira e 350 na segunda.

“São clientes que não têm condições, por alguma razão, de instalarem painéis fotovoltaicos nas casas ou empresa, mas que querem apostar na energia solar”, afirma o superintendente de Negócios de Gás Natural, Biomassa, Serviços e Inovação, Carlos Diego do Valle Pedroso. “A gente está em fase final também de adesão dos interessados”, explica.

Unidade em Sarandi ocupa 11 hectares

A usina de Sarandi foi inaugurada pela Copel dia 29 de maio e é formado por 9.720 painéis fotovoltaicos que ocupam uma área de 11 hectares (o tamanho de cerca de dez campos de futebol). Cada placa é constituída por células fotovoltaicas de silício policristalino.

Segundo a companhia, essas células são interligadas em série e reagem com a incidência dos raios de sol, liberando elétrons que são transferidos para um circuito dentro da placa. A instalação possui também 90 rastreadores solares, estruturas que giram os painéis conforme o movimento do sol, para otimizar a geração de energia.

Com 9.720 painéis fotovoltaicos, usina da Copel em Sarandi foi inaugurada em maio. Foto: Copel.

Nelson Bortolin

Especial para o Paraná Norte

Foto: Copel

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