Desmembrado da Sercomtel desde a privatização da telefônica, órgão está prestes a concluir 100% de instalação de LED na cidade
Empresa de concessão pública que surgiu há 12 anos como um braço da Sercomtel, a Londrina Iluminação (LI) ganhou vida própria dentro da administração municipal desde que a companhia telefônica foi privatizada, em 2022. O órgão tem um orçamento próprio de R$ 150 milhões, sendo que uma boa parte vem do repasse da Cosip (Contribuição de Custeio da Iluminação Pública), taxa mensal cobrada aos consumidores de energia elétrica que financia o serviço de iluminação pública prestado pela Copel.
A principal atribuição da LI é garantir a manutenção dos serviços de iluminação pública na cidade, como a troca das luminárias de vapor de sódio e mercúrio pelas lâmpadas de LED, consideradas mais econômicas.
Em entrevista ao Paraná Norte, o presidente do órgão municipal, Cláudio Tedeschi, que chegou a comandar a Sercomtel por dois anos no primeiro mandato do prefeito Marcelo Belinati (PP), diz que até julho será cumprida a meta de instalar as luminárias de LED em todos os 65 mil pontos da cidade. O serviço foi iniciado há cinco anos, com investimento de cerca de R$ 130 milhões.
Além do programa Londrina Cidade Iluminada, a Londrina Iluminação também está promovendo a instalação de LED no campus da UEL (Universidade Estadual de Londrina), em parceria com o governo do Estado, em investimento de R$ 1,8 milhão, e aguarda um aval do DER-PR (Departamento de Estradas de Rodagem) para promover o mesmo serviço nos 21 quilômetros do perímetro urbano da PR-445, em uma ação conjunta com a prefeitura de Cambé (Londrina tem orçados R$ 9 milhões).
Na entrevista, Tedeschi revela que há uma série de projetos em curso para expandir a atuação da LI na cidade, uma vez que, segundo ele, as luminárias de LED permitem a adoção de uma rede de inovação tecnológica com captação e transmissão de dados de forma a gerar mais eficiência no serviço público. “O céu é o limite”, afirma o gestor, que além da Sercomtel acumula a experiência de ter presidido uma dezena de outras entidades associativistas e da administração pública, como Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Sinduscon Norte (Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Norte do Paraná) e Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina). Confira a seguir.
A Londrina Iluminação tem como meta instalar LED em todos os postes públicos da cidade até o final do ano. Vai ser cumprido?
O programa inicial era trocar por LED todo o parque de iluminação do município de Londrina, que tem em torno de 65 mil luminárias. E não é só a luminária, porque com o LED o braço do poste vai até altura do meio da rua, então é, na verdade, a substituição de todo o conjunto do poste e da luminária. Em uma parte desse programa a gente conseguiu o recurso do BRDE [Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul]. E a previsão era de justamente a gente entregar agora, em junho e julho, 100% do município, incluindo os distritos. E a gente realmente vai cumprir.
Qual o investimento total?
Estão sendo investidos R$ 130 milhões nesse programa de modernização de iluminação pública, denominado Londrina Cidade Iluminada. A Câmara Municipal autorizou que a gente tomasse dois empréstimos, um no BRDE, de R$ 56 milhões, e um no Fomento Paraná, de R$ 14 milhões. Como a gente tem esse de fluxo da Cosip, logo no início percebeu que talvez fosse possível executar o programa sem tomar os R$ 14 milhões do Fomento Paraná. E realmente acabou que não tomamos.
Como se dá esse fluxo da Cosip?
O município pode ficar com 30% do repasse da Cosip, o resto é aplicado obrigatoriamente na iluminação pública. Para executar o programa fazemos uma média de fluxo da Cosip, e como é preciso estabelecer o cronograma do serviço, fazê-lo em X tempo, vai precisar do recurso para depois ir pagando mais ao longo do tempo. Mas dos R$ 70 milhões de empréstimo aprovado pela Câmara, vamos utilizar os R$ 56,590 milhões, que são do BRDE, o outro recurso nós dispensamos. E é um outro ponto do programa: ele é autossustentável, porque como o consumo de energia cai, quando você faz financiamento também ao longo prazo e numa taxa de juro barata, a própria redução do consumo de energia acaba pagando. Tanto que hoje tudo quanto é município acelerou o processo de tentar começar a substituição das lâmpadas por LED porque é autossustentável. A gente vê um impacto extremamente positivo.
E há outras atribuições da Londrina Iluminação além da instalação das lâmpadas de LED?
Na verdade, de início a empresa tinha uma previsão praticamente de só fazer esse serviço: continuar a manutenção e trocar todo o parque por LED. Só que hoje a gente começou a avançar e tem mais de oito projetos diferentes na empresa. Percebemos que quando você coloca os braços do poste de luminária no meio da rua passa a ter um potencial de uma rede para utilizar na área principalmente de dados, para o município. Por exemplo, controle de trânsito e segurança. Por quê? Porque temos 65 mil pontos no município, onde eu posso colocar câmera, controles por meio de sensores, inclusive transmissão de dados entre todos os serviços públicos.
Como é que funciona isso?
Nós ganhamos uma isenção, na verdade, um fundo perdido, um recurso do Finep [Financiadora de Estudos e Projetos], que fomenta a inovação no Brasil. Entre cinco projetos que poderiam ser escolhidos para o Brasil, um foi o nosso. A participação deles [do fundo] vai em torno de R$ 8,5 milhões, R$ 9 milhões, para a gente fazer telegestão. O que é isso? Além de trocar a luminária, em boa parte dela vou fazer controle à distância. Eu consigo controlar a luminosidade das avenidas à distância, da minha central. Eu mudo o timing dela conforme as estações, inverno e verão, e também a partir das 23h ou meia-noite, começo a reduzir um pouco a intensidade dela. Com isso tenho também uma economia em torno mais ou menos de 20% de consumo de energia. Além disso, se der um problema numa luminária, eu já fico sabendo. É um projeto de inovação.
Já está em funcionamento?
Não, nós estamos construindo esse projeto, ainda vai levar uns três anos para ser executado. Já temos os recursos do Finep, a fundo perdido. E além disso, a gente está vendo um outro projeto em conjunto com a Secretaria de Defesa Social que chamamos de postes de inteligência. Vamos fazer uma barreira em toda a área rural, onde teremos controle sobre todos os principais fluxos nas principais vias e estradas rurais. Vamos acabar cobrindo inteirinho esses locais em termos de segurança. Teremos energia solar em alguns pontos por meio de placas solares, internet via satélite, sensores de agricultura para fornecer informações para o agricultor sobre umidade, chuva etc. A gente chama de postes inteligentes porque são postes multifuncionais. Estamos inicialmente fazendo um projeto, já tem o primeiro montado para fazer o teste junto com a Sercomtel para a zona rural. E o prefeito pediu que a gente fizesse isso também para controle e segurança das escolas municipais. E dentro da área urbana, por exemplo, em lugares onde você tem normalmente descartes de lixo e etc., passamos a ter um controle full time, e aí podemos autuar o infrator imediatamente.
E como está a iluminação em LED no campus da UEL?
Na verdade, era para o Estado fazer, mas, num esforço do município, a gente fez um convênio com eles para a execução. Fizemos o maior laboratório a céu aberto de iluminação pública do Brasil.
A substituição será em toda a extensão do campus?
Começamos. Deve estar ainda com uns 25%, 30%, mas nos próximos dois, três meses, vamos entregar também 100% da universidade. Além disso, nós assumimos também, durante uns dois, três anos do governo do Estado, a iluminação dos 21 quilômetros que estão dentro da zona urbana da PR-445, que é onde você tem hoje o maior número de acidentes. A marginal nós já fizemos, queremos fazer a rodovia também.
E como vai funcionar? Com a participação do governo?
Nós pedimos, porque, na verdade, ali é a área de autonomia deles. Já faz 100 dias que nós pedimos ao DER-PR [Departamento de Estradas de Rodagem] para nos autorizar porque nós vamos fazer. Se o governo do Estado não quer fazer, nós também vamos fazer e teremos que fazer neste ano ainda. São 21 quilômetros, na verdade pega parte de Cambé, mas fizemos o projeto junto com Cambé.
Falando em inovação, o que a iluminação LED proporciona ao município?
Bom, com a iluminação em LED você tem várias vantagens. A principal, talvez, é que tem uma iluminação muito mais eficiente, muito mais clara do que a anterior, que é meio amarelada. Isso tem impacto até na segurança da cidade, principalmente nos bairros mais periféricos – a gente começa esse programa pelos pontos periféricos para depois vir para o centro. Por quê? Porque você tem um impacto, principalmente em pequenos delitos nas ruas, que diminuem. Já temos estatística junto com a Polícia Militar, em torno de 30% de redução dos delitos. Já tem medição em torno também de 25% a 27% de economia na energia, é estimado que a duração do LED é três vezes maior do que a de vapor de sódio e mercúrio. Então, tem uma série de fatores que realmente possibilitam um bairro muito melhor, é outro padrão de iluminação. Só para você ter ideia, a gente está estudando colocar sensores para fazer a medição online de todos os hidrômetros da Sanepar e do consumo de energia elétrica por meio da iluminação. O céu é o limite.
De que forma a Londrina Iluminação entra nesse processo de cidade inteligente que há vem sendo tratado por entidades de classe e da cidade e a própria prefeitura?
Justamente como eu te falei, num parque de 65 mil pontos de luminárias de LED posso instalar todo tipo de equipamento, de transmissão e recepção de dados. O que é uma cidade inteligente, na minha opinião? É a que usa alta tecnologia para melhoria dos serviços públicos ou melhoria da conexão do cidadão com os serviços públicos. A Londrina Iluminação tem hoje todo um parque onde eu posso instalar todo tipo de sistema de conexão do cidadão com todos os serviços públicos.
Por Diego Prazeres
Foto: Divulgação Assessoria





