Obras que envolvem construção do viaduto da PUC estão 30% concluídas, segundo o DER/PR
As obras viárias que envolvem a construção do viaduto em frente ao acesso à Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR), na BR-369, em Londrina, estão 30,96% concluídas, conforme medição de abril divulgada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER/PR). A previsão do estado é de entregar o viaduto até o final do ano, prazo que pode ser modificado devido às condições climáticas. Contratada por R$ 31 milhões, a obra foi iniciada em setembro do ano passado e não tem aditivos atualmente.
Dezenas de funcionários atuam nos canteiros do cruzamento das avenidas Tiradentes (trecho urbano da BR-369) com Jóquei Clube, na zona oeste da cidade, conforme acompanhou a reportagem do Paraná Norte nesta semana. Os serviços estão concentrados na execução das novas vias marginais, com a realização de terraplenagem e implantação de sistema de drenagem de águas.
O objetivo é entregar as marginais da rodovia e a pista de rolamento da rotatória e da avenida Jóquei Clube pavimentadas até o dia 6 de junho. Tudo isso para poder liberar o tráfego no trecho e dar início às obras do viaduto propriamente dito. Boa parte do segmento das marginais já está com as guias das calçadas executadas e a pavimentação asfáltica das vias realizada, como é o caso da rotatória, o que deve ocorrer em breve também com a avenida Jóquei Clube.
DER/PR
Em comunicado enviado à reportagem, o DER/PR informa que que nos próximos dias será concluída a pavimentação das vias marginais, por onde será desviado o tráfego de veículos da BR-369, permitindo o início dos serviços da infraestrutura do viaduto ainda em junho. Em breve, segundo o órgão, será divulgado cronograma detalhando essa mudança no tráfego.
A nota afirma ainda que os períodos de chuva prolongada recente e do ano passado afetaram a execução dos serviços da obra, principalmente na etapa de terraplenagem, em que é movimentado o solo da área.
Construtora
A reportagem entrou em contato com a Contersolo Construtora de Obras Ltda., responsável pelos serviços, para que falasse sobre o andamento da execução do trabalho, mas a empresa não quis se manifestar. A empreiteira assumiu a função em substituição à antiga construtora, que teve o contrato rescindido após atrasos constatados por medições realizadas pela fiscalização estadual.
NÚMERO
R$ 31 milhões
Valor contratado pelo governo do estado para a obra de construção do viaduto
Oficina no entorno teve que mudar de endereço
Mesmo com o cronograma de andamento da obra de construção do viaduto da PUC-PR inalterado até o momento, já houve danos ao movimento comercial de empresas nas imediações. O DER/PR ressalta que mudanças no tráfego de veículos e rotina dos usuários são inevitáveis em obras rodoviárias, especialmente quando executadas no perímetro urbano.
“A obra conta com sinalização provisória para orientar os usuários neste período, e o DER/PR conta com a paciência e compreensão de todos enquanto os serviços estão em andamento. No caso dessa obra em específico, inclusive foi reaberto provisoriamente o ‘retorno da Cacique’ para facilitar o acesso de veículos no trecho durante a obra, em comum acordo entre DER/PR, Polícia Rodoviária Federal e poder municipal”, afirma o órgão em nota.
Medidas que foram ineficazes para a Fuel Car Center, que precisou mudar de endereço para sobreviver. A assistente administrativa da oficina de automóveis, Karina Cristina Faria da Costa, relata que clientes ligavam ou chegavam bravos, porque o acesso à empresa mudava o tempo todo. “Mas a gente não tinha o controle sobre isso.” Fora isso houve as reclamações da sujeira. Até que a empresa encontrou um barracão na avenida Nilson Ribas e se mudou em março. “No último mês, tivemos que arcar com dois aluguéis, porque eu precisava pagar o do barracão de lá e começar a pagar o daqui.”
Empresário diz que obra deve reduzir acidentes
O empresário Mauro Basílio possui uma indústria de móveis planejados localizada nas imediações da PUC-PR e conta que viveu momentos de muita sujeira por conta das obras. “Isso durou uns três meses e meio. O chão da minha fábrica ficava repleto de barro, porque os veículos entram e saem, principalmente durante a entrega feita por caminhões. Mas eles sempre deram um jeito para eu ter um acesso.” Agora que as obras em frente de sua empresa estão em fase final, e o asfalto deve ser implantado, a situação tende a melhorar. “O asfalto já diminui 80% da sujeira e vai ficar bom. Quando tudo ficar pronto, eu acredito que vá aumentar o fluxo de clientes.”
Basílio atua no mesmo local há 15 anos e relembra que antes da construção ter início havia bastante acidentes no local. “Para quem subia a avenida Jóquei Clube tinha um semáforo em que ocorriam muitos acidentes, e envolvia principalmente quem frequenta a PUC e o pessoal que trabalha no pool de combustíveis e no Parque das Indústrias. Dava muito acidente feio.”
O terreno do campus Londrina da PUC-PR foi desapropriado pela prefeitura e doado em 2001. Desde aquela época se aventava a necessidade da construção de um viaduto no local, mas havia um imbroglio muito grande, já que a rodovia BR-369 fazia parte da concessão da Econorte e a obra não estava prevista no contrato entre a concessionária e o governo.
Em abril de 2010 foi disponibilizada verba federal para a construção do viaduto e a obra chegou a ser licitada, teve construtora aprovada, mas posteriormente houve anulação do processo administrativo por uma divergência entre a publicação da liberação de recursos e a data em que o documento foi assinado pelo Ministério dos Transportes. Uma nova licitação foi feita e um consórcio venceu o certame, que reunia as empreiteiras Gaissler Moreira Engenharia Civil Eirelli, Legnet Engenharia Ltda e Vitis Engenharia. No entanto, o governo do estado rompeu o contrato por “descumprimento contratual e da falta de compromisso com o cronograma.” A Contersolo Construtora de Obras assumiu a execução do empreendimento em julho do ano passado.
Tratativas
Diretora da universidade, Nádina Aparecida Moreno afirma que a PUC aguarda a obra há 22 anos. “Tivemos vários estudantes e colaboradores que sofreram acidentes ali. Era um trânsito muito pesado, de caminhões. Tudo era muito perigoso”. Embora o viaduto seja uma reivindicação antiga, ela ressalta que toda obra traz uma série de transtornos. “O trânsito ficou muito lento e uma das principais reclamações dos estudantes, dos professores e dos pacientes que atendemos no ambulatório está relacionada às vias de acesso. Muitas estão danificadas pelo volume de carros que circulam por lá. Nós temos feito algumas tratativas com a prefeitura para que isso seja solucionado. Mas por outro lado, é uma situação que a gente sabe que é provisória.”
O campus Londrina da PUC-PR possui em torno de 2 mil estudantes da graduação e pós-graduação, 180 professores, 60 funcionários, além de terceirizados. Contando ainda os 1.500 pacientes atendidos por mês no ambulatório, são quase 3 mil pessoas que circulam no espaço diariamente.
A diretora afirma que a melhoria do acesso ao campus implica em ampliação de espaço físico e também no portfólio de cursos. “Em 2025, mesmo sem o Plano Diretor, nós já temos aprovados o curso de Biomedicina presencial, então é mais um curso da área de saúde, além da Enfermagem, Medicina e Psicologia. A ideia é que a gente cresça nas áreas de saúde e de tecnologia”.
NÚMERO
3 mil pessoas
É o fluxo diário na PUC-PR, entre alunos, professores, servidores e pacientes atendidos no ambulatório
Por Vitor Ogawa
Foto:Vitor Ogawa





