Na estrada há 22 anos, Mama Quilla é destaque da semana na série do Paraná Norte sobre a cena musical alternativa da cidade
Por Heloísa Gonçalves*
Foto: Festa Barbada. Da esquerda para direita, Luciano Assumpção, Tiago Bento, Gisele Silva e Diogo Burka
Na mitologia inca, a deusa lunar Mama Killa era associada à proteção de mulheres, criação dos primeiros seres humanos e aos ciclos do tempo. Ela simbolizava ordem após o caos e renovação.
Em 2002, ao pesquisar um nome para a banda que queria formar, o então universitário Tiago Moreira Bento encontrou a história da Mãe Lua. Ele conheceu a superstição dos incas com o satélite natural da Terra, que pensavam que os eclipses lunares eram ataques de dragões. “Eles acreditavam que o que fazia a sombra sair da Lua era a música que eles tocavam. Então eles faziam ritos musicais percussivos para espantar o dragão da Lua. Aí eu gostei muito desse nome, música para espantar o dragão. Por isso que eu batizei como Mama Quilla”, contou Bento.
Tiago, conhecido como Tiaguera na cena musical de Londrina, é o fundador da banda, que completa 22 anos de trajetória em junho deste ano. São sete integrantes, dois iniciaram no grupo há cerca de 11 anos e cinco são membros originais, desde 2002.
Além de Tiaguera na voz e guitarra, o Mama Quilla é formada por Diogo Burka no contrabaixo, Duda de Souza na percussão e Robson Ganeo nos teclados. Luciano Assumpção também é guitarrista no grupo, enquanto Guilherme Rossini, apelidado de Caroço, toca a bateria e Gisele Silva, mais conhecida como Gica, é vocalista.

Apresentação do Mama Quilla no Bar Artimanha em 2003. Foto: Reprodução/Instagram @mamaquilla.
Produção fiel e autoral
O foco da banda, desde o início, foi a composição autoral. “Porque a banda foi montada justamente para poder cantar coisas que a gente acredita, que a gente vive, que a gente aprende. Então o intuito já foi para fazer música que vem do coração mesmo”, explica Bento.
Mesmo com o enfoque nas canções próprias, o repertório do grupo também é formado por covers, “para a gente sair um pouco do nosso espectro”, conta o vocalista. O gênero musical tocado é um reggae diferenciado com várias vertentes, por conta dos diversos gostos e referências que regem o Mama Quilla há mais de 20 anos.
Faixa com mais de 820 mil reproduções no Spotify
Na discografia estão inclusos cinco álbuns. O disco de estreia é “Efeito Sintonia”, lançado em 2005, que acumula quase 3 milhões de reproduções no Spotify.
A música que leva o título do álbum foi composta quando todos os integrantes eram estudantes de graduação na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tiago conta que com a agenda cheia de compromissos da faculdade, escreveram sobre saber valorizar o talento, dom e conhecimento que uma pessoa tem mesmo diante de um caminho árduo, pois “no final, a positividade traz o efeito de sintonizar tudo”.
A faixa é a mais aclamada no Spotify, com 823.971 reproduções. Os dados da plataforma de música mostram que o Mama Quilla é prestigiado também internacionalmente, com ouvintes em 140 países. Bento afirma que esse reconhecimento é importante e os incentiva a continuar. “A gente canta, vive, toca e celebra nossa verdade. Para nós é muito gratificante. Para nós, para todos da banda, esse alcance do algoritmo que a gente tem no Spotify é o legado do nosso livro”, conta.
Vantagens da independência
Para Tiago, a cena musical independente ganhou força nos últimos anos por conta das plataformas de streaming. Hoje, um músico pode fazer sucesso sem os grandes selos ou gravadoras, situação diferente de quando os artistas dependiam totalmente deste apoio para ter visibilidade.
Ainda existem limitações no meio, e por isso, Bento afirma que sempre que possível busca prestigiar shows de colegas que enfrentam a mesma correria. Ele cita a Senhor Bonifácio, Bonafini, Bato Pé e as rodas de samba de Londrina.
O fundador do hepteto se diz satisfeito com os estabelecimentos da cidade, na questão de serem receptivos a apresentações de bandas independentes. Mas reforça que essa disponibilidade também depende do trabalho da banda, de conseguir atrair um público que aprecie o show e gere renda para o espaço.
Próximos passos
O Mama Quilla vem divulgando em suas redes sociais o último lançamento do grupo, o EP Flores Pra Te Dar (2023). O projeto é a transição de Tiago para sua carreira solo, gravado com apoio da banda.
Em junho, o grupo se reúne para comemorar os 22 anos de história com duas apresentações. A primeira será no dia 13, no Sesc de São José do Rio Preto, e a outra no Vitrola Bar, em Londrina. Em breve, a banda divulgará mais informações sobre os shows, como horários e valores de ingressos.
*Supervisão de Diego Prazeres





