SRP quer ExpoLondrina como auxílio a produtores em cenário desafiador

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Em ano de quebra de safra da soja, presidente da entidade fala ao Paraná Norte sobre perspectivas do agro e atrações da feira que começa em 5 de abril

Por Diego Prazeres

Foto: Fernanda Bressan/Divulgação SRP

Com quase 100% dos estandes comercializados em toda a feira, a Sociedade Rural do Paraná (SRP) tem na realização da ExpoLondrina 2024 uma preocupação que vai além de garantir uma edição mais bem-sucedida do que a do ano passado, quando houve queda na movimentação financeira (32%) e de público (15%) em relação a 2022.

As perspectivas de quebra na safra de soja 2023/24 por conta do fator climático – muito sol e pouca chuva – têm afetado produtores de grandes, médias e pequenas propriedades no estado. Além de buscar facilidades de crédito na compra de insumos e maquinário com bancos e cooperativas que estarão na feira, a Expo espera auxiliar a cadeia produtiva com rodadas de conversas com as lideranças políticas que integram a Frente Parlamentar da Agricultura no Congresso. A chamada bancada do agro, como se sabe, tem forte presença na Câmara e no Senado.

E a despeito da histórica relação conflituosa entre o setor e os governos do PT, o presidente da SRP, Marcelo Janene El-Kadre (foto acima), garante em entrevista ao Paraná Norte que o Ministério da Agricultura está atento às demandas do agro. “O ministro [Carlos Fávaro] já me confidenciou – e já está público isso – que o governo vai dar condições ao produtor”, diz ele, que também fala sobre inovação no campo e as novidades que a ExpoLondrina terá para levar mais de meio milhão de pessoas ao Parque de Exposições Ney Braga durante os 10 dias da feira – 5 a 14 de abril. Neto de Abdel Karim Janene, que tem um recinto no parque com seu nome, El-Kadre é pecuarista e membro da SRP desde 1997. Ele termina o mandato de dois anos em agosto, com possibilidade de ser reeleito no cargo. Confira a entrevista a seguir.

A ExpoLondrina adotou para este ano o conceito de feira dia e noite. Como é isso?

Nosso conceito é esse, a Exposição que você quer ver. Ela começa durante o dia com palestras, cursos, a parte comercial, e a partir das 18h, 19h entra o entretenimento. Inclusive, vamos fazer chamadas nesse horário, na caída do sol, acho que é importante porque você traz o pai, o avô, o neto, e agora os animais de estimação. Neste ano vai ser a primeira feira do Brasil com o pet friendly, em que as pessoas podem trazer seus animais. Vai ter uma série de regras, como tamanho dos animais, a raça, e vamos ter veterinários acompanhando, a carteira de vacinação do animal tem que estar em dia porque teremos mais de meio milhão de pessoas no parque em dez dias. A expectativa é muito boa nesse conceito que a gente coloca: é uma Exposição do dia todo, que começa cedo e vai até a noite.

E para todos os bolsos, presidente? Porque uma coisa que especialmente as famílias de menor poder aquisitivo reclamam da Expo é que dentro do parque é tudo muito caro…

No ano passado, em relação a preços de bebida, até a empresa responsável pela comercialização na feira assumiu o erro. Para você ter uma ideia, nós ficamos sabendo dos preços das bebidas pela internet. Agora neste ano, não, nós temos o compromisso de sentarmos e discutirmos esses valores. Vamos ter os PDVs [pontos de venda], independente do que você consumir, direto da Ambev. Fora isso, compramos dez equipamentos de hidratação – cada um tem três torneiras de água gelada e uma de água natural, temos quatro poços artesianos dentro do parque, todos com central de tratamento. O visitante poderá vir com sua garrafinha de água e fazer o abastecimento graciosamente. A preocupação nossa é com o bem-estar, primeiro de quem vem nos visitar, e o mais importante é o respeito que nós temos que ter em relação àquilo que você perguntou que é o preço. O erro que foi cometido ano passado, não foi por nós, mas pela empresa que administra a venda de bebidas, isso é terceirizado. Mas eles assumiram o erro e nós vamos com certeza consertá-lo.

Qual a expectativa quanto à venda de maquinário?

Nós temos uma preocupação neste ano em relação à agricultura, porque nós tivemos falta de chuva no plantio e excesso de chuva na colheita, então, houve uma quebra muito grande da safra, os preços despencaram. Só que este movimento é cíclico, desde que o mundo é mundo é assim. Hoje existe também um pouco mais de lobby comercial de exportação, de importador, mas eu tenho certeza absoluta de que o governo federal, por meio do Ministério da Agricultura, vai viabilizar isso, vai renegociar. O ministro [Carlos Fávaro] já me confidenciou – e já está público isso – que o governo vai dar condições ao produtor, vai esticar essa dívida e vai abrir novas linhas de crédito, porque precisa. Imagine colocar R$ 500 mil embaixo da terra e ficar olhando para cima esperando chuva, sol… é um risco muito grande. O produtor está nessa época ruim e a gente fica um pouco temeroso em relação à comercialização, mas os bancos, as cooperativas estão vindo com uma linha de crédito especial para a ExpoLondrina.

El Kadre: “As cooperativas estão vindo com linha de crédito especial para a ExpoLondrina”
Foto: Assessoria SRP

E como o agro está lidando com essas dificuldades, especialmente a quebra na safra da soja?

Tivemos no ano passado 156 milhões de toneladas, neste ano a expectativa é 130 milhões, teoricamente teria que subir o preço. Mas existe mercado externo, existe lobby, uma série de coisas que interferem nessa produção. Agora, o governo federal enxerga isso, 1/3 do PIB do Brasil é agricultura e pecuária. Quando eu era pequeno ouvia que o Brasil ia ser o celeiro do mundo, hoje nós somos. O mundo precisa comer, o Brasil tem alimento para fornecer. Existem as dificuldades, mas vou citar um exemplo: 2020, “o mundo ia acabar” com a pandemia, não ia? E nós estamos aqui. O produtor brasileiro tem muita vontade de trabalhar. Um país que produz o que a gente produz, duas safras por ano, às vezes até três. É claro, existem as desigualdades, como em todo o mundo, mas estamos trabalhando para melhorar isso. Em relação ao mercado, de fato está muito difícil. Uma preocupação que eu tenho é com produtor rural pedindo recuperação judicial, isso é muito perigoso. Muita gente está vendendo isso como se fosse a salvação da agricultura e da pecuária, eu já não enxergo assim. As cooperativas, as empresas que vendem sementes, adubo, vão se adaptar à realidade do produtor. Nós vamos promover encontros durante a Feira em nível nacional com a Frente Parlamentar da Agricultura para justamente discutir as saídas. Não é o que a gente quer, mas o que a gente precisa para continuar sendo celeiro do mundo. Nós estamos atentos, como entidade, a essas preocupações.

Em relação à inovação no campo, produtor rural tem procurado usar de tecnologias para melhorar a produção e até para se preparar para os efeitos provocados pelas mudanças climáticas?

Existem hoje sementes mais resistentes à seca, usar menos defensivo agrícola. Isso é muito caro. O agrônomo que assina um receituário desse é como um atestado médico, tem que ter responsabilidade. Temos que usar a ciência, o estudo. A Embrapa Soja desenvolveu agora dois tipos de semente de sojas mais resistentes. Isso é muito importante porque a margem do produtor não é tão grande e evitando o custo com defensivo agrícola, tendo uma semente mais resistente, diminui os custos e aumenta a rentabilidade. Outra discussão que tratamos em reunião de diretoria: muito se fala do pequeno produtor. Está errado, é pequena propriedade de um grande produtor. A pequena propriedade pode gerar receita de um grande produtor, é diversificar.

E é muito caro investir em tecnologia no campo? Vale a pena, mesmo para um produtor de pequena propriedade?

Aí que vêm as cooperativas, associações, você se unir a um número de produtores e viabilizar essa tecnologia. Outra coisa interessante, a mão de obra para isso. Antigamente a gente tinha tratorista, hoje é operador de máquina. Se você entrar numa colhedeira vai se assustar, é computador para tudo que é lado. Os caminhões que colhem para a gente são todos automatizados via satélite junto com a máquina. Eles se deslocam com satélite, se há algum problema param na hora. A automação hoje é um caminho que não tem volta e você tem que ter gente para operar isso. Existe o drone para pulverizar, mas semana retrasada me mostraram, existe também um avião não tripulado, com pequenas proporções, e o operador fica na cabeceira da pista, com óculos 3D, manipulando como se um fosse um piloto. Quando você descobre uma tecnologia, é caro, mas quando existe uma gama maior, um uso maior, vai barateando.    

E onde vocês conseguem essa mão de obra?

Estamos com um projeto com um governo que está praticamente finalizado de montar uma escola tecnológica agrícola.

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