OMS reconhece nova cepa de Mpox e caso em Porto Alegre acende alerta no Brasil

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Na terça-feira (17) de Carnaval, foi confirmado um novo caso de Mpox na capital do Rio Grande do Sul. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, o paciente contraiu a doença fora do estado. Até o momento, não foi identificada a variante responsável pela infecção, nem foram divulgadas informações sobre o estado de saúde do homem.

Diante do período de Carnaval, marcado por grandes aglomerações e maior contato entre as pessoas, é fundamental que a população esteja atenta aos sintomas da Mpox, como febre, dores no corpo, inchaço dos gânglios e lesões na pele. Ao perceber qualquer sinal suspeito, a orientação é procurar atendimento médico e evitar contato próximo com outras pessoas para reduzir o risco de transmissão.

OMS reconhece circulação de nova cepa de Mpox após casos no Reino Unido e na Índia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu no último sábado, 14, a circulação de uma nova cepa de Mpox, formada pelos clados Ib e IIb do vírus MPXV. A situação acontece após a confirmação de dois novos casos nos últimos meses.

O primeiro foi identificado em dezembro de 2025 no Reino Unido e envolvia um paciente com histórico de viagem ao Sudeste Asiático O segundo foi confirmado na Índia, no dia 13 de janeiro deste ano, em uma pessoa que havia viajado para um país da Península Arábica, onde reside.

A análise dos genomas virais indicou que os dois indivíduos foram infectados pela mesma cepa recombinante, com uma semelhança de 99,9%. Como os casos ocorreram com intervalo de várias semanas, a OMS sugere a hipótese de que possam existir infecções não notificadas. Clinicamente, ambos apresentaram manifestações semelhantes às observadas em outros clados, e nenhum evoluiu para quadro grave.

A OMS também afirma que a origem da recombinação ainda é desconhecida e destaca que a circulação desse vírus já envolve pelo menos quatro países. Como os dois casos identificados apresentam grande semelhança genética, a agência avalia que a variante pode estar mais disseminada do que os registros atuais indicam.

O órgão ainda ressalta que testes laboratoriais convencionais de diferenciação de clados podem não detectar vírus recombinantes, sendo necessário o sequenciamento genômico para confirmação.

Nos dois casos, o rastreamento de contatos foi concluído e não houve identificação de casos secundários. Ainda não está claro se a nova variação apresenta diferenças clínicas em relação às anteriores. Por isso, as autoridades continuam investigando as características fenotípicas da cepa.

OMS mantém avaliação de risco e reforça vigilância global após identificação de recombinação viral

Segundo a OMS, a recombinação é um processo natural que pode acontecer quando dois vírus relacionados infectam o mesmo indivíduo e trocam material genético, produzindo um terceiro.

Mesmo com o reconhecimento da recombinação, a avaliação de risco da OMS não mudou. Ela continua sendo considerada moderada para homens que fazem sexo com homens (com parceiros novos e/ou múltiplos) e para trabalhadores do sexo ou outras pessoas com múltiplos parceiros sexuais ocasionais. O perigo é baixo para a população em geral, sem fatores específicos de risco.

A agência reforçou que mantém vigilância global da Mpox e oferece orientação técnica e apoio aos países, incluindo acesso a diagnósticos e vacinas por meio de mecanismos de coordenação internacional. A OMS também trabalha para a criação de um grupo internacional de coordenação para a provisão de vacinas contra a doença.

Vale lembrar que os critérios utilizados para aplicação da vacina seguem as orientações da OMS e priorizam grupos de risco.

O que é a Mpox?

A Mpox, também conhecida como varíola dos macacos, é causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus. A transmissão ocorre principalmente por contato físico próximo e direto, incluindo relações sexuais.

Também pode acontecer de forma indireta, por meio do contato com materiais contaminados, pela inalação de partículas respiratórias infecciosas (em casos limitados) e da mãe para o filho.

Os principais sintomas são erupções cutâneas ou lesões de pele, linfonodos inchados, febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e fraqueza. Os sinais geralmente duram de duas a quatro semanas.

O recomendado é, ao apresentar os sintomas, buscar ajuda médica. No Brasil, a vacinação contra Mpox foi iniciada em 2023, após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberar o uso provisório de um imunizante conhecido como Jynneos ou Imvanex, produzido pela farmacêutica Bavarian Nordic. Ele deve ser aplicado em duas doses, com um intervalo de quatro semanas entre elas.

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