O governador Ratinho Junior (PSD) decretou situação de emergência em todo o Paraná, no último dia 4, em razão da estiagem que o Estado vem sofrendo. Segundo o Ministério Público do Paraná, a escassez hídrica trouxe “desabastecimento de água e prejuízos econômicos, especialmente aos setores da agricultura e pecuária, além de contribuir para ocorrência de desastres secundários, como os elevados índices de incêndios em vegetação”.
O clima na região de Londrina, que enfrenta uma nova onda de calor nesta semana, tem seguido o mesmo padrão: sem chuvas, com temperaturas altas e baixa umidade. Mesmo com as condições desfavoráveis à agricultura, o engenheiro agrônomo André Varago aponta que o clima atípico também pode trazer benefícios para a produção de certos alimentos.
Varago atua nas unidades da Ceasa de Londrina e Maringá. Em entrevista ao Paraná Norte, explicou que algumas plantas cultivadas em campo são favorecidas pela falta de precipitação, porque o acúmulo de água em sua superfície (folhas, ramos, flores e frutos) leva ao desenvolvimento de fungos e bactérias, que podem causar queda na produção, maiores gastos com defensivos químicos e redução na qualidade do FLV (frutas, legumes e verduras).
Oferta normal
Falando especificamente da cidade, Varago contou que as consequências da estiagem não afetaram o estoque nem os valores de produtos no mercado, visto que “a oferta das mercadorias está normal na Ceasa de Londrina” e os preços seguem estáveis com base nas cotações diárias.
Ele explicou que culturas produzidas sem irrigação são prejudicadas, mas que grande parte dos produtores de hortifruti da região possuem o sistema e conseguem minimizar suas perdas. A escassez hídrica implica em “maior consumo de água e energia elétrica para irrigação, porém, como a oferta da maioria das mercadorias nesta época está controlada, o produtor não consegue repassar para o cliente os maiores gastos na produção”, disse o engenheiro agrônomo.
O Paraná Norte perguntou sobre a produção de alimentos específicos, se foram ou não afetados pelas consequências da estiagem. Varago não comentou sobre carne, leites e derivados, pois não são comercializados na Ceasa. Veja a relação:
Laranja – A oferta está estável. Um fator que está impactando a produção negativamente é o Greening, a principal doença dos citros em nível mundial. Uma vez que a planta de laranjeira está infectada pela bactéria, a produtividade e a qualidade dos frutos caem drasticamente a cada ano, sendo necessária a erradicação da planta.
Pepino e chuchu – O calor excessivo prejudica o florescimento e frutificação de algumas olerícolas.
Banana – A produção e qualidade da banana no Sul do Brasil cai um pouco nesta época do ano como reflexo do inverno, e com isso, o preço aumenta. Os principais fornecedores da Região Sul do País são o Estado de Santa Catarina e litoral do Paraná.
Morango e tomate saladete – Seguem com preços baixos em função da maior oferta.
Folhosas (alface) – São muito cultivadas neste período do ano, enquanto que o consumo reduz no inverno em função das temperaturas mais amenas. Na última semana do mês de agosto, mesmo com três dias de baixas temperaturas e geada, o preço da alface se manteve baixo devido à elevada oferta e menor consumo. As folhas ficam amareladas por conta do calor excessivo, o que prejudica a qualidade.
Varago afirmou que se as temperaturas excessivas continuarem os custos de produção serão maiores. O trabalho de produtores menos tecnificados será prejudicado, principalmente os que cultivam sem irrigação.
A principal função das Centrais de Abastecimento é garantir a provisão nas áreas onde estão localizadas. Com a imprevisibilidade do clima, o engenheiro agrônomo disse que é possível que falte alguma mercadoria, mas que “as Empresas Permissionárias (Boxistas) que estão presentes na CEASA/PR podem buscar estes produtos em outras regiões que não foram afetadas”. As Ceasas se abastecem entre si.
Por Heloísa Gonçalves
Foto: Gilson Abreu/AEN





