Base de Onofre na Câmara vetou depoimento do vice, Jair Milani, sobre investigações do Gaeco
Com maioria na Câmara Municipal de Arapongas, a base que apoia o prefeito Sérgio Onofre (PSD) decidiu rejeitar um pedido de informação sobre o caso investigado pelo Ministério Público sobre o suposto uso indevido de máquinas do município em obras terceirizadas pela atual administração municipal.
O requerimento proposto pela bancada de oposição propunha ouvir o vice-prefeito, Jair Milani (PL), com base em documentos que questionam e poderiam ajudar a esclarecer o caso, ainda alvo de investigação pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate à Corrupção) que, há três semanas, culminou no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em diversos endereços, um deles na sede da Codar (Companhia de Desenvolvimento de Arapongas). O órgão é responsável pela obra de duplicação da avenida Tico-Tico Rei, onde as máquinas da Prefeitura estariam sendo utilizadas de forma indevida, segundo denúncias apuradas pelo Gaeco.
O requerimento de convocação ao vice-prefeito Jair Milani foi rejeitado pela maioria dos vereadores que apoiam o prefeito. Milani, que já acumulou o cargo de secretário de Obras e está rompido com Onofre, lamentou a negativa porque julgou que seu depoimento, “baseado em farta documentação”, seria de grande auxílio nas investigações. “Está tudo documentado”, disse à reportagem do Paraná Norte. O vice-prefeito afirmou ainda que cerca de 80% do maquinário da Codar foi cedido pela Prefeitura para a realização das obras viárias e pertence à Secretaria de Obras, e que isso, em princípio, isso não é problema “A questão é que o prefeito insinuou que eu tinha assinado essa cessão de uso em 2018, e isso é uma grande inverdade. Aliás, quem assinou foi ele, Sérgio Onofre. Ele assinou e nós temos esse documento”, disparou.
Milani também ressaltou que outra questão a ser apurada com rigor é que a máquina, um rolo compactador cedido em 2018 à Codar, não é a mesma flagrada no vídeo da denúncia feita pelo vereador Décio Rosaneli (Podemos), em maio. “É um equipamento bem menor, de outra marca, e que pertence à Secretaria de Obras. Ir à Câmara Municipal e ajudar finalmente a esclarecer este caso tenho certeza de que tiraria esse peso que também recai sobre as costas do contribuinte araponguense. Sabemos da importância desta obra de duplicação da avenida Tico-Tico Rei, e manchar uma obra de vital importância para a cidade é não levar em conta toda a comunidade araponguense”, concluiu o vice-prefeito.
A sessão para votar o requerimento de convocação de Milani ocorreu na última segunda-feira (10). Foram nove votos contrários, todos de vereadores da base aliada do prefeito Sérgio Onofre, e cinco favoráveis. O presidente da Mesa Diretora, Márcio Nickenig (PSD), se absteve. O Paraná Norte procurou Onofre, mas ele disse que não iria se manifestar
A oposição ‘comprou a briga’
Em entrevista ao Paraná Norte, o líder da oposição na Câmara e autor do requerimento de convocação do vice-prefeito Jair Milani, vereador Aroldo Pagan (Podemos), disse que a medida tinha como único objetivo “esclarecer todos os pontos da denúncia e passar o caso a limpo”. “A convocação era para que o Milani tivesse a oportunidade de esclarecer tudo. Vamos comprar a briga”.
Procurado, Onofre não quer falar sobre o caso
Procurado pela reportagem, o prefeito Sérgio Onofre disse que não vai se manifestar. O Paraná Norte entrou em contato com a assessoria dele. Ele pediu que fossem enviadas as perguntas, mas depois de 24 horas a resposta foi que não iria se manifestar sobre o assunto. O Paraná Norte tentou, por diversas vezes, um posicionamento também da Companhia de Desenvolvimento de Arapongas sobre as investigações, mas não conseguiu contato com nenhum representante da Codar.
O Flagrante
A operação deflagrada em maio pela Divisão de Combate à Corrupção da Polícia Civil (Deccor) começou a investigar o caso após a publicação de um vídeo pelo vereador Décio Rosaneli (Podemos). No material, ao qual a reportagem teve acesso, o parlamentar flagrou o uso de pelo menos uma máquina da Prefeitura nos trabalhos de duplicação da avenida Tico-Tico Rei, no Jardim Caravelle. No vídeo, o vereador, que acabou ameaçado e agredido, chegou a retirar um adesivo que tentava esconder que os equipamentos eram de propriedade da prefeitura.
Investigações da Polícia Civil contrariam versão da prefeitura Entre os crimes apontados pela investigação, segundo o delegado da Divisão de Combate à Corrupção da Polícia Civil (Deccor), Thiago Vicentini, estão peculato, falsidade ideológica e uma suposta fraude a licitação. Durante a operação de cumprimento dos nove mandados de busca, a Polícia Civil apreendeu mídias diversas, celulares, notebooks e documentos. A reportagem apurou que todo o material apreendido já está em poder do Instituto de Criminalística da Polícia Civil. A investigação já conseguiu apurar que as máquinas sempre estiveram em poder do município, diferente do que afirma a prefeitura. “Na época da denúncia, até se falou que esse maquinário estaria cedido à Codar. Mas, nós comprovamos, via documentos obtidos até no próprio Portal da Transparência, que esse maquinário sofreu manutenções na própria Prefeitura”, concluiu o delegado
Por Marcos Garrido
Foto:Divulgação





