‘Tia fascista’, ‘Rivotril’ e ‘Treta de Departamento’ são algumas das canções autorais da banda NIC Vigarista. E não são só os nomes curiosos que chamam atenção para o grupo.
A banda é atração garantida para universitários, os principais ouvintes e frequentadores dos shows do trio. Isso porque o grupo é formado pelos professores do Departamento de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) André Azevedo da Fonseca, que canta e toca guitarra, Alberto Klein, o baixista, e Fábio Silveira, o baterista.
Os músicos fazem referência em suas letras à idade que possuem, na beira ou já na casa dos 50, brincando que o gênero musical tocado por eles é uma espécie de “punk pós-operatório”. Azevedo explica que “em vez de jogar bingo ou dominó, que é uma atividade mais apropriada às pessoas de nossa faixa etária, decidimos passar as tardes de sábado tocando punk rock”.
O nome da banda, por sua vez, referencia ao mesmo tempo o personagem Dick Vigarista e a atividade docente cumprida pelos três. No departamento de Comunicação da UEL os códigos das disciplinas sempre começam com o termo “NIC”, sendo assim a banda “uma ‘indisciplina’ que nos permitimos nos momentos de lazer, depois do horário de trabalho”, conta o vocalista.

André Azevedo, vocalista e guitarrista da NIC Vigarista. Foto: Yasmin Almeida.
Repercussão milionária
A letra sincera da NIC Vigarista, misturada com o ritmo forte do punk, e tocada por docentes universitários de meia-idade (como descrito pela banda), viralizou na internet e garantiu novos ouvintes ao trio.
Um vídeo da primeira apresentação da banda, realizada ano passado no Sesc Londrina Cadeião, soma mais de 1 milhão e 600 mil visualizações entre o Instagram e Tik Tok. A repercussão se deu com a música “ABNT”, que traz as sempre mutáveis regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas como mandamentos aos estudantes.
A canção começa com as regras mais famosas explicadas aos gritos: “Enfie essa vírgula no meio do nome / Vai tomar no olho dessa referência / Novo espaçamento para um e meio / Esse ponto é o filho de uma reticência”
Chamada de “jaboticaba brasileira” na música, a ABNT não só é o órgão responsável pela normalização técnica no Brasil, mas também a canção mais famosa da NIC Vigarista, por conta da grande repercussão trazida pela divulgação do vídeo no perfil de uma aluna.
Fábio Silveira, o baterista, diz que a situação é curiosa. A internet permeia os temas estudados por eles na academia, como a informática e fake news, então estar do outro lado desta moeda foi uma agradável surpresa. “Uma coisa é a gente estudar e analisar, outra coisa é acontecer com a gente, né? A gente foi surpreendido pela repercussão”, afirma.

Fábio Silveira, baterista da NIC Vigarista. Foto: Emerson Dias.
Silveira conta ainda que das cinco canções do álbum “Treta de Departamento”, disponível nas plataformas digitais, não esperava que ABNT fosse a música a viralizar. Segundo ele, a canção tinha potencial, mas é nichada, e acabou viralizando justamente no “nicho enorme que é a comunidade acadêmica”.
O baixista, Alberto Klein, diz que a repercussão do vídeo ultrapassou as barreiras regionais e virou matéria no jornal Estado de Minas. Também garantiu ouvintes e seguidores de fora de Londrina, análise oferecida em dados pela plataforma de áudio Spotify.
Novidade na cena local
A NIC Vigarista foi formada em março de 2023. Até o momento, o trio se apresentou no Festival das Diversidades da UEL, no Londrina Sesc Cadeião e no Bar Barbearia.
O grupo considera que o espaço disponível para o rock autoral e alternativo ainda é restrito na cidade. “Sobre espaços de apresentação, ainda estamos conhecendo essa cena, também de lugares, bares, locais para apresentação. Mas a gente está curtindo muito ter essa possibilidade de se apresentar”, explica Klein.

Alberto Klein, baixista da NIC Vigarista. Foto: Emerson Dias.
Os próximos passos do grupo incluem continuar com os shows e a produção autoral. Segundo André Azevedo, não vão faltar músicas novas baseadas em suas próprias vivências, e há muita coisa a ser explorada sobre “o absurdo de nossos tempos”.
O vocalista conta ainda que a “experiência de entrar em sintonia com amigos e construir uma mensagem tão cheia de nuances como a música é fabulosa. Mesmo um som aparentemente simples como o punk está repleto de detalhes importantes. É um exercício muito estimulante. Quase tão bom quanto ministrar aulas e participar de reuniões de departamento”, finaliza.
Por Heloísa Gonçalves
Foto: Emerson Dias. Da esquerda para direita: André Azevedo, Fábio Silveira e Alberto Klein





