Nome mais forte à sucessão de Traiano, Alexandre Curi fala sobre eleições municipais e a disposição de se lançar ao governo em 2026
A história da família Khury na política paranaense é das mais antigas e nas últimas duas décadas teve em Alexandre Curi – essa passou a ser a grafia adotada por ele – seu principal nome. A trajetória do herdeiro político de Aníbal Khury (seu avô, deputado por vários mandatos e ex-presidente da Assembleia Legislativa) começou no ano 2000, quando foi eleito vereador de Curitiba pelo PMDB e se tornou o mais jovem parlamentar das capitais brasileiras.
Dois anos depois, Curi assumiu, pela primeira vez, uma cadeira no Legislativo estadual, com mais de 44 mil votos. Foi reeleito em 2006 como o deputado mais votado do Paraná, ultrapassando 130 mil votos. E em 2007, aos 27 anos, se tornou o parlamentar mais jovem a assumir o cargo de primeiro-secretário da Assembleia.
Em 2010 e 2014 teve outras duas votações expressivas e em março de 2016 anunciou sua ida para o PSB. Dois anos depois, já nas eleições de 2018, chegou à marca de 147 mil votos, se reelegendo para o quinto mandato.
Mas, foi em 2022, aos 43 anos, que teve uma votação histórica, mais de 237 mil votos. Chegou ao sexto mandato e, pela terceira vez, foi o deputado estadual mais votado do Paraná e ficou ainda entre os dez com mais votos no país.
Ocupando atualmente o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora da AL, o deputado estadual Alexandre Curi conversou com o Paraná Norte sobre eleição municipal, reafirmou a aliança PSD/PL para outubro e não descartou, por exemplo, uma candidatura ao Governo do Estado em 2026.
A Assembleia Legislativa terá eleição para a nova Mesa Diretora em breve e muito se fala nos bastidores que o senhor deve ser o próximo presidente da Casa, que existe quase que uma unanimidade em torno do seu nome. A escolha da Mesa já tem data confirmada? O senhor vai colocar seu nome na disputa?
Primeiramente, dizer que é um prazer estar falando com vocês. Claro que o processo de eleição da mesa nos bastidores já está sendo discutido. Eu tenho colocado o meu nome à disposição dos deputados, tenho feito um trabalho como primeiro secretário e é natural que apresente o meu nome para presidente. Mas, essa discussão ainda é prematura. Não sabemos ainda a data da eleição. Oficialmente, ela deve acontecer no dia 1º de fevereiro de 2025. Mas, nos últimos 15, 20 anos sempre foi antecipada. O regimento, agora, permite que nós possamos antecipar a eleição a partir do dia 1º de agosto, mas ainda não definimos. Vamos sentar com os líderes partidários, com o próprio presidente [Ademar] Traiano, com os demais deputados, com a segunda-secretária Maria Vitória, para que a gente tome uma decisão em conjunto, de forma coletiva. E eu entendo, sim, que essa eleição pode ser antecipada para este ano.
Ainda não sei se antes das eleições municipais ou depois, mas eu defendo que a escolha da Mesa seja antecipada. E respondendo à sua pergunta, sim, vou colocar o meu nome à disposição e, se for um consenso, se for o interesse da maioria dos deputados, registrarei a minha candidatura a presidente da Assembleia.
A escolha da mesa vai ser mesmo pelo chamado voto avulso ou teremos chapas disputando a eleição?
A ideia que eu defendo é a manutenção do sistema que é feito hoje, com o registro de chapas. Alguns deputados defendem a votação avulsa, mas, eu entendo que a melhor forma é a eleição através das chapas, como vem acontecendo nos últimos anos aqui na Assembleia, permitindo que cada deputado monte sua chapa, possa registrá-la e dispute o cargo de presidente, de primeiro secretário, segundo e os demais.
O senhor sempre teve uma atuação política muito próxima dos municípios. Faltando poucos meses para as eleições de outubro, como o senhor avalia que seu partido, o PSD, chega ao pleito?
Sou um deputado declarado municipalista. Defendo a grande maioria dos municípios do Paraná. Represento a maioria dos prefeitos e prefeitas e não tenho dúvida nenhuma de que o PSD, que já tem o maior número de prefeitos e prefeitas do Paraná, o maior número de deputados estaduais e federais, vai sair vitorioso dessas eleições municipais. Tenho certeza de que vamos aumentar o número de prefeitos e vai haver um fortalecimento muito grande do PSD no estado. Começando pela capital do estado. Temos um candidato muito forte, que é o vice-prefeito Eduardo Pimentel, que em princípio lidera todas as pesquisas.
Em Londrina, o seu colega de Assembleia e de partido, o deputado Tiago Amaral, foi confirmado como pré-candidato do PSD, com apoio do governador, e do PL, que tem como principal liderança aqui na região o deputado federal Filipe Barros. PSD e PL continuam com a aliança política no Paraná ou vai depender do cenário de cada município?
Olha, nas duas maiores cidades do estado, o PL e o PSD vão caminhar juntos. Curitiba já comunicou que vai estar na chapa do atual vice-prefeito Eduardo Pimentel. Eu vi o anúncio, semana passada, do deputado federal Filipe Barros, que é uma grande liderança de Londrina e do Norte do Paraná, também declarando o apoio do PL ao PSD, com a pré-candidatura do deputado Tiago Amaral.
E a tendência é que em outras cidades maiores do Estado isso também aconteça, como em Foz do Iguaçu e Cascavel. Então, a tendência é que os dois partidos caminhem juntos, com a aliança entre o governador Ratinho e o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, para que nas grandes cidades o PL ou esteja na cabeça ou esteja junto com o PSD. Isso é um fortalecimento para o nosso partido, é uma parceria extremamente importante. Nós sabemos da força do PL no Paraná, o tamanho da votação que o ex-presidente Bolsonaro teve aqui e eu não tenho dúvida de que ele terá uma influência muito grande nas eleições municipais do estado, assim como o governador Ratinho Junior, que tem a maior aprovação do Brasil, quase 77%. Serão os dois grandes cabos eleitorais das nossas eleições municipais. É por isso que, onde o PL e o PSD estiverem juntos, o candidato terá, sem dúvida nenhuma, uma grande ascensão.
O senhor foi o deputado estadual mais votado do Paraná nas últimas eleições, com quase 240 mil votos. Tem planos para voos mais altos em 2026?
Olha, pela votação que eu fiz, tendo sido, pela quarta vez, o deputado mais votado do Paraná, com quase 100.000 votos a mais que o segundo colocado, é natural que essa discussão apareça e que o meu nome seja colocado pela expressiva votação. Eu acho que ainda é muito cedo. Eu estou no PSD, o meu partido tem bons nomes para o Governo do Estado em 2026, como o atual prefeito de Curitiba, Rafael Greca. Temos também o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, e o secretário Sandro Alex, que são nomes que podem ser apresentados em 2026. O que eu tenho dito é que, claro, existe a vontade de estar sendo indicado pelo PSD para disputar um cargo maior em 2026. Em especial, claro, o cargo do Governo do Estado que todos os políticos almejam.
Mas, neste momento, eu estou me preparando. Conheço as diferentes regiões do Paraná, praticamente os 399 municípios do Estado e tenho a experiência de seis mandatos como deputado estadual, um como vereador e, como já disse, sou um municipalista. O que eu posso lhe dizer é que se essa oportunidade aparecer em 2026, estarei pronto para apresentar o meu trabalho e as minhas propostas ao povo paranaense. Mas, claro, o nosso líder maior é o governador Ratinho Junior, e eu tenho que, internamente, construir isso dentro do PSD. E se vier a ser escolhido pelo meu partido, sim, tenho vontade de disputar. Como eu disse, é cedo ainda. Esse é um momento de muito preparo, de manter o meu trabalho como deputado estadual pelo sexto mandato, em que tenho a responsabilidade de ser o primeiro secretário da Assembleia, uma espécie de prefeito do poder legislativo. E posteriormente, aí sim apresentar o meu nome. A ideia é estar preparado para que, se Deus quiser e essa oportunidade surgir, eu possa aparecer em 2026 e representar bem o meu partido.
O governador Ratinho Junior também foi reeleito, em 2022, com a maior votação da história do Paraná, quase 70% dos votos. O Senado é um caminho natural para o futuro político do governador? Ou ele antecipou ao senhor que planeja algo maior?
O governador não antecipa, né. Até porque, ele ainda tem praticamente dois anos e meio de mandato. Mas, eu posso lhe dizer que eu estive com o governador há poucos dias, na semana do Brasil em Nova York, e lá estavam 11 governadores, centenas de empresários daqui participando da Semana do Brasil naquela cidade, além de empresários de outros países, e o governador fez uma belíssima apresentação sobre o Paraná, mostrando o estado mais sustentável, mais inovador, com a melhor educação do Brasil e com as obras de infraestrutura que estão acontecendo. E eu voltei muito otimista.
Acho que é natural que o governador possa disputar o Senado, mas, acho também que o Paraná pode ter a oportunidade de lançar um nome aqui do nosso estado, com pretensões nacionais. É muito cedo para dizer, mas eu acredito que pela visibilidade que eu vi do governador e pelo entusiasmo da maioria dos empresários brasileiros que lá estavam, ele passa a ser um nome com muita visibilidade pra disputar um cargo nacional.
Por Marcos Garrido
Foto:Orlando Kissner





