Secretaria de Educação afirma que abriu sindicância, mas professora segue trabalhando normalmente
Um caso grave, que já está sendo investigado pela Polícia Civil, mas segue cercado de muito mistério. O suposto abuso sexual contra uma criança de apenas 3 anos teria ocorrido em um centro municipal de educação infantil (CMEI), em Arapongas, no último dia 2 de agosto. Para preservar a identidade da criança, o Paraná Norte optou por não revelar nem as iniciais do nome da garota.
A reportagem teve acesso ao áudio em que a mãe da menina narra, em detalhes, o caso, e afirma, entre outras coisas, que já houve mais episódios de agressões físicas e verbais envolvendo a mesma professora na escola e que nenhuma providência teria sido tomada pela direção. Ainda de acordo com a mãe, a criança foi “socorrida” por outra profissional da unidade, que teria ouvido gritos vindos do banheiro.
A mulher também denuncia que a Conselheira Tutelar que a acompanhou à delegacia no domingo (4) não teria permitido que ela levasse uma cópia do Boletim de Ocorrência e o encaminhamento para o exame. “Ela me enrolou, falou para mim que na segunda-feira pela manhã entraria em contato comigo para a gente ir lá fazer o exame. Ela simplesmente sumiu,” afirmou a mãe da criança.
O diretor-geral da Secretaria de Educação de Arapongas, Ricardo Cortez, disse ao Paraná Norte que a denúncia vem sendo tratada com o máximo rigor e que foi a própria pasta quem determinou a abertura de uma sindicância para apurar o caso, assim que foi notificada pelo Conselho Tutelar, no dia 20 de agosto.
Ainda de acordo com o diretor, a criança foi transferida para outra escola a pedido da mãe, que, segundo ele, foi chamada para uma reunião logo após a secretaria ser informada da denúncia, mas não teria comparecido. Sobre os supostos casos de agressão da professora contra outras crianças da escola, relatados pela mãe no áudio, o diretor-geral afirmou que a secretaria nunca tomou conhecimento disso e que a profissional continua na unidade. “Nós não tínhamos nada contra essa professora. Ela segue trabalhando normalmente na escola”.
Apesar de reconhecer a gravidade da denúncia, Ricardo Cortez falou em contradições nos depoimentos que constam do Boletim de Ocorrência, mas preferiu não entrar em detalhes. “Temos que ter muita prudência, principalmente para não expor a criança”, explicou o diretor da Secretaria de Educação.
A rede municipal de ensino de Arapongas tem 25 CMEIs, 20 escolas municipais na área urbana e outras 4 unidades na área rural.
Conselho Tutelar fala em “medidas cabíveis”
A conselheira Tutelar de Arapongas Martha Marchiori informou ao Paraná Norte que o Conselho foi acionado pela mãe da criança no dia 4 de agosto (domingo) e que, imediatamente a conselheira que estava de plantão foi à delegacia para registrar o caso. Em nota enviada à reportagem, a instituição informou também que já “foram tomadas todas as medidas cabíveis, tanto administrativamente quanto judicialmente, no que diz respeito às atribuições e atitudes tomadas pela conselheira que encontrava-se de plantão na época do ocorrido”, mas não entrou em detalhes sobre quais teriam sido as medidas tomadas em relação à profissional e por que ela não teria permitido que a mãe ficasse com uma cópia do Boletim de Ocorrência e com o encaminhamento para o exame de corpo delito.
Delegacia da Mulher instaurou procedimento
Em nota, a Delegacia da Mulher de Arapongas informou que desde que tomou conhecimento do fato “instaurou um procedimento para apurar o caso e que tem tomado todas as medidas para sua elucidação e, acima de tudo, para preservação da integridade física e psicológica da criança”.
Por Marcos Garrido
Foto: Prefeitura Municipal de Arapongas





