Levantamento da CMTU revela alta em quase todos os números do trânsito em comparação a 2023
Um ano de 2024 que, ao menos até agora, revela um trânsito mais violento em Londrina. Entre janeiro e julho, a cidade contabilizou 1.892 acidentes dos mais diversos tipos, de colisões a atropelamentos. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a cidade registrou 1.651 sinistros, o aumento passou de 14%. Destaque negativo nesse ranking do trânsito londrinense em 2024 para o mês de junho, o mais violento até agora, quando foram registrados 301 acidentes. Em relação a janeiro, que teve o menor número do ano (211), o crescimento chegou a 42%.
O levantamento feito pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a pedido do Paraná Norte, mostrou ainda que a quantidade de vítimas aumentou mais de 13%, passando de 1.937 nos primeiros sete meses de 2023 para 2.198 no mesmo período de 2024. Um dado a se comemorar é a redução no número de óbitos, foram 37 em 2023 e 35 este ano.
Outro dado que chama a atenção nesse ranking é que as colisões, as populares batidas, entre dois ou mais veículos – incluindo carros, motos, caminhões, ônibus e outros – representaram 58% de todos os acidentes de trânsito registrados na cidade nos primeiros sete meses de 2024 (1.110 de 1.892). Na comparação com o mesmo período de 2023, as colisões também cresceram, quase 13%.
Depois delas, o tipo de acidente mais contabilizado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização nos primeiros sete meses de 2024 foram as chamadas quedas de veículos, principalmente motos, que totalizaram 513 casos, com o mês de março liderando o ranking, com 88 registros. Nesse quesito, o levantamento da CMTU revelou um aumento bem mais significativo entre 2023 e 2024: quase 33%. Vale lembrar que quase 25% da frota londrinense, de 300 mil veículos, é composta por motocicletas (75 mil).
Na sequência desse ranking dos sinistros de trânsito, os números da CMTU trazem os atropelamentos. Foram 140 entre janeiro e julho, com destaque negativo para abril, que foi responsável por 25 deles, quase 18% do total. Na comparação com o mesmo período de 2023, os atropelamentos na cidade cresceram 8%.
Comportamento individual tem impacto no coletivo, diz CMTU
A reportagem solicitou entrevista para analisar e repercutir os dados, mas a CMTU pediu que fossem enviadas as perguntas, que seriam respondidas por meio de nota. Sobre o aumento de boa parte dos números de acidentes (entre eles sinistros, vítimas e atropelamentos) e se estão dentro de uma “normalidade”, a companhia informou que “acompanha a evolução dos sinistros de trânsito de forma contínua, especialmente em relação aos óbitos” e que a análise dos números mostra que, “apesar do aumento na quantidade de ocorrências e de pessoas envolvidas, o registro de mortes é menor entre um ano e outro (37 para 35) – redução que sugere uma atenuação na gravidade dos casos.”
A CMTU informou ainda que continua investindo em educação de trânsito, fiscalização e sinalização viária, mas “o comportamento individual de cada um tem impactos na coletividade e, por conta disso, os esforços do poder público para preservar vidas precisam caminhar junto com a conscientização de cada um”.
Ainda de acordo com a companhia de trânsito, estudos feitos pelo próprio órgão apontam que, “em geral, os sinistros são registrados em vias bem sinalizadas” e ainda que “o desrespeito à preferencial, o avanço de sinal vermelho, o abuso do acelerador, o uso do celular e a embriaguez ao volante aparecem como atitudes individuais que vão contra os esforços do Município para reduzir os números”.
Segundo a CMTU, estudos na área mostram ainda que, atualmente, “o excesso de velocidade é a principal causa de acidentes com mortes”. Além disso, o uso do celular ao volante e o avanço do sinal vermelho, diz a companhia, são “comportamentos nocivos” ao trânsito. “O primeiro distrai o condutor, podendo levar a acidentes. O segundo coloca em risco o próprio motorista infrator, além de pedestres, motociclistas e outros condutores”.
Londrina tem mais de 80 radares
Londrina tem, atualmente, 82 pontos de fiscalização eletrônica, sendo que 28 deles, além de registrarem a velocidade dos veículos, também contam com sensores de avanço de sinal vermelho e parada sobre a faixa de pedestres.
Apesar de cada vez mais presentes nas ruas e avenidas da cidade, principalmente a partir de 2021, na prática os “pardais” ainda não conseguiram trazer uma redução na quantidade de acidentes de trânsito, como revela o levantamento da CMTU.
Com o aumento no número de radares, a arrecadação da Prefeitura também vem crescendo, e de forma significativa, ano a ano. Em 2023, foram cerca de 221 mil multas e mais de R$ 34 milhões. Mas, foi entre 2021 e 2022 que o Município mais “faturou” com as notificações de trânsito, os números saltaram de R$ 19 milhões para quase R$ 32 milhões, um aumento, em apenas doze meses, de mais de 60%.
Arrecadação de multas de trânsito
2023: R$ 34 milhões
2022: R$ 32 milhões
2021: R$ 19 milhões
Fonte: CMTU
Placar do trânsito de Londrina 2024*
Em alta
Acidentes: 1.892 (aumento de 14% em relação a 2023)
Vítimas: 2.198 (aumento de 13%)
Colisões: 1.110 (aumento de 13%)
Queda de veículo: 513 (aumento de 33%)
Atropelamentos: 140 (aumento de 8%)
Em queda
Colisões contra postes, muretas e outros: 93 (redução de 14%)
Capotamentos: 27 (redução de 7%)
Óbitos: 35 (redução de 5,5%)
*Fonte CMTU (de janeiro a julho)
Por Marcos Garrido
Foto: AEN





