Reforma que retomar projeto original do Calçadão

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Revitalização do quarteirão do Ouro Verde prevê volta dos quiosques e manutenção das pedras portuguesas

Projeto desenvolvido pelo Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), com a participação da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), prevê a completa revitalização do último trecho do Calçadão, entre as ruas Minas Gerais e Rio de Janeiro. A ideia é readequar todo o quarteirão onde fica o Cine Teatro Ouro Verde, trazendo de volta alguns dos elementos e mobiliários que faziam parte da proposta concebida na década de 1970 pelo arquiteto e urbanista e ex-governador do Paraná Jaime Lerner (1937-2021). Para a elaboração do novo projeto, o Ippul realizou uma pesquisa documental com o resgate de todos os detalhes originais da área.

Como o quarteirão fica no entorno do Ouro Verde, que é um prédio tombado, o anteprojeto foi encaminhado para análise da Coordenação do Patrimônio Cultural do Estado e retornou com alguns pedidos de ajustes. Segundo o Ippul, as adequações já estão sendo feitas e o documento deve ser devolvido ao Governo do Estado já nos próximos dias.

Agora vai?

De acordo com o Instituto, ainda neste semestre o processo deve ser finalizado e encaminhado à Secretaria Municipal de Obras. Se tudo der certo, a reforma deve começar no início do ano que vem. Apesar disso, a revitalização do trecho, para muitos o mais degradado do Calçadão, ainda não tem uma estimativa de custos, o que só deve acontecer após a finalização dos projetos complementares da revitalização.

A ideia, explica o diretor Institucional da Acil, Gerson Guariente, é fazer da obra um “piloto” de uma reforma maior que deve “mudar a cara” de todo o Calçadão. “Vamos readequar o espaço, de acordo com o projeto original, retirar as floreiras de concreto que existem hoje, e alguns elementos que foram sendo introduzidos ao longo do tempo e reinstalar as luminárias em forma de Araucária, além de outras mudanças”.

Piso em petit pavê será mantido

O piso original em pedra petit pavê, segundo o diretor Institucional da Acil, Gerson Guariente, será mantido, mas ele diz que vai ser preciso ter outro padrão de qualidade. “Sem buracos ou ondulações, já que é uma via para pedestres. Temos exemplos em outras cidades do país e do mundo de que ele, sendo bem executado e tendo manutenção, funciona perfeitamente”. Outra novidade, explica Guariente, é a implantação de passagens elevadas para pedestres nos trechos em que o Calçadão cruza outras vias com circulação de veículos.

A volta dos quiosques

Motivo de discórdia em outros tempos, os quiosques também devem voltar ao Calçadão. A previsão é instalar cinco deles nesta primeira etapa da revitalização no quarteirão do Ouro Verde. A ideia, após a revitalização de todo o Calçadão, é levar os quiosques para outros trechos.

“O projeto maior prevê quiosques, principalmente, ligados à gastronomia. Temos dados que mostram que 50% dos visitantes de Londrina passam pelo Calçadão. Então, precisamos ocupar os espaços, ter atrações para levar ainda mais gente para lá e dar opções ao turista”, afirma o diretor Institucional da Acil, Gerson Guariente.

Outro problema a ser “atacado”, afirma ele, é a poluição visual. “Vamos trabalhar para que saia do papel, quando chegarmos à revitalização completa do Calçadão, a implantação da rede de distribuição de energia subterrânea. Precisamos retirar os postes e colocar tudo isso embaixo da terra. Hoje temos um emaranhado de fios e cabos que só enfeia as fachadas dos prédios e de todo o Calçadão. Tem comerciante que até cuida da sua fachada, mas com esse cenário fica praticamente impossível”.

Inspiração em rua curitibana

A única via comercial de Londrina exclusiva para pedestres teve seu projeto elaborado em 1976, inspirado na rua XV de Novembro, em Curitiba. Começou a ser executado no ano seguinte, pelo arquiteto, urbanista e ex-prefeito da capital, Jaime Lerner, que também tinha projetado a “Rua das Flores “ em Curitiba e foi contratado para dar vida ao Calçadão londrinense. A missão era ousada para a época: tirar os carros do trecho da avenida Paraná entre a Hugo Cabral e a Minas Gerais, dar lugar aos pedestres e “humanizar” a área, criando espaços de convivência.  

A última revitalização ocorreu há mais de 10 anos, mas apenas em seus primeiros três quarteirões. As pedras portuguesas pretas e brancas, trazidas de Blumenau, logo se tornaram destaque e o Calçadão foi se consolidando como um espaço de cultura e interação social. Mas, com o passar dos anos, vieram as mudanças que foram desvirtuando o projeto original. Entre outras alterações, a partir de 2010 o piso em petit pavê foi sendo substituído pelos blocos pré-moldados de concreto, os chamados “pavers”.

Por Marcos Garrido

Foto:Museu Histórico de Londrina

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