‘Gata de Botas’ – Por onde andam as bandas independentes de Londrina?

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Com reverências a Rita Lee e ao rock nacional, Gata de Botas é destaque da semana na série do Paraná Norte sobre a cena musical alternativa da cidade

Por Heloísa Gonçalves*

Foto: Ber Sardi. Da esquerda para direita: Guilherme Paiva, Fábio Caetano, Thalita Boni, Leonardo Formigoni e Luciano Assumpção

“Do primeiro disco voador ao último porre, Rita é consistente. Corajosa. Sem culpa nenhuma. Tanto que, ao ler o livro, várias vezes temos a sensação de estar diante de uma bio não autorizada, tamanha a honestidade nas histórias”. É assim que Guilherme Samora, jornalista e estudioso do legado cultural da padroeira das ovelhas negras, descreve “Rita Lee: Uma autobiografia”, lançada em 2016.

Thalita Bonicontro, que usa o nome artístico Thalita Boni, teve um sentimento parecido com o de Samora ao ler a obra. O impacto foi tanto que a cantora teve a ideia de criar um Tributo a Rita, homenageando a mente criativa e audácia de Lee.

Foram duas apresentações em Curitiba, cuja continuidade foi interrompida pela pandemia da Covid-19. Em dezembro de 2021 Boni retorna a Londrina, entrando em contato com o músico Luciano Assumpção no ano seguinte, a fim de dar seguimento ao trabalho.

Assim surgiu a ‘Gata de Botas’, banda cover de Rita Lee que toca rock nacional e MPB. Thalita divide o vocal e produção artística com Luciano, que é o guitarrista do grupo. Complementando o quinteto têm-se Fábio Caetano nos teclados e os vocalistas Leonardo Formigoni, também baterista, e Guilherme Paiva, também contrabaixista.

Foto: Ber Sardi.

Repertório

Boni explica que a banda busca seguir a ousadia de Rita Lee em um roteiro estruturado, com “releituras de grandes sucessos nacionais, constantes trocas de figurinos customizados, performances ensaiadas e distribuição de brindes para o público”. A produção inclui ainda histórias sobre a vida e obra da mãe do rock brasileiro, contadas por Thalita.

O show foi construído com base na autobiografia de Rita, então além da apresentação de clássicos da cantora, alguns dos artistas que a cercaram durante seus anos de palco também são homenageados, como Tim Maia, Raul Seixas, Erasmo Carlos, Titãs, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso.

A vocalista se carateriza como Rita Lee em todos as performances, usando roupas inspiradas nas canções da musicista e o cabelo pintado de um vermelho vibrante. “É claro que têm muitas referências dos looks que a Rita usava, mas em muitos momentos, são utilizados elementos em músicas que a própria Rita nunca usou. É o caso de ‘Alô, Alô Marciano’, por exemplo”, conta Boni.

Essa semelhância proposital entre Rita e Thalita é percebida e comentada pelo público, que muitas vezes pede para tirar fotos e agradece a Gata de Botas pela continuação da obra deixada por Lee. “São muitos os depoimentos repletos de carinho e incentivo, dizendo que tocamos o coração das pessoas e que sim, ‘estamos fazendo um monte de gente feliz!'”, brinca a vocalista em referência a música ‘Saúde’ (1981).

Thalita Boni, vocalista da Gata de Botas. Foto: Ber Sardi.

Reputação no setor musical

Guilherme Paiva, que toca o contrabaixo na banda, explica que os integrantes estão inseridos na cena musical de Londrina com outros projetos além da Gata de Botas. Assim, existe uma parceria entre os diferentes grupos independentes, essencial diante da dificuldade de encontrar estabelecimentos que apoiem o trabalho destes artistas.

O processo de criar uma boa reputação com os contratantes da região de Londrina é demorado e requere paciência, segundo Paiva. Ele explica que “até isso acontecer, você ter um nome na cidade, você realmente sofre bastante para fechar shows em casas locais, nos estabelecimentos. É difícil o contato com as casas de show, muitas vezes os donos não respondem”.

Paiva pensa que a cena musical está em fase de transição, com o retorno do setor após o fechamento de muitos bares que sediavam apresentações de grupos independentes. A demanda artística é alta e os estabelecimentos disponíveis não são o suficiente para atendê-la. “Outros bares estão abrindo mas ainda há poucos espaços para as bandas tocarem, eles já estão tomados por uma galera. A cena musical em Londrina sempre vai ser muito incrível de composição e tudo mais, mas os bares não acompanham”.

Um ano sem a Padroeira da Liberdade

Na próxima quarta-feira (08) completa um ano da morte de Rita Lee, aos 75 anos. A compositora, que achava cafona o título de ‘Rainha’ do rock brasileira, fazia tratamentos contra um câncer de pulmão desde o diagnóstico em 2021.

A notícia do falecimento de Rita abalou a Gata de Botas, mesmo com a consciência do estado frágil de saúde da cantora. Thalita conta que chorou por dias, se sentindo anestesiada para fazer os primeiros shows após a partida da ídola. “O sentimento foi como perder um familiar ou amigo muito próximo”, conta.

Mesmo com a tristeza, o Tributo Rita Lee seguiu com as apresentações e planos. A banda planeja a realização de outros projetos, como o Tributo Elis Regina, Especial Rock Nacional e o Baile da Gata ainda em 2024. Também está marcada no calendário a produção de músicas autorais, que serão divulgadas nas principais plataformas digitais quando prontas, além de inscrições em Festivais que contemplam canções próprias.

Agenda

A Gata de Botas está com a agenda de shows cheia para o mês de maio. Confira as datas das próximas apresentações:

•03/05 Cascavel/PR (Holligans);

•04/05 Foz Do Iguaçu/PR (Zepellin Old Bar);

•10/05 (Cativeiro Bar- Com show especial em homenagem a um ano da partida da Rita);

•11/05 Maringá/PR (Jabô Bar Jardim);

•12 /05 Arapongas/PR (Villa 8);

•17 /05 Cornélio Procópio/ PR (Termas Aguativa);

•18/05 – 1° show Festival Craft Beer (Shopping Boulevard ); 2° show no Provisório Bar.

*Sob supervisão de Diego Prazeres

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