Leilões devem superar marca de R$ 12 milhões na ExpoLondrina

WhatsApp
Facebook
LinkedIn

Diretor de Atividade Pecuária da SRP diz que feira apresentará o que há de melhor em genética voltada para a bovinocultura

Ricardo Maia/Especial para o Paraná Norte

Foto: Fernando Cremonez/Assessoria ExpoLondrina

A ExpoLondrina, que ocorre entre os dias 5 e 14 de abril, no Parque de Exposições Ney Braga, movimentará a economia da região não só pelas atrações de entretenimento, mas também pela comercialização de animais e de genética por meio dos tradicionais leilões. Em 2023, foram negociados perto de R$ 12 milhões nos leilões, e este ano a expectativa é que esse valor seja superado, segundo informações da Sociedade Rural do Paraná (SRP).

Neste ano, serão realizados 12 leilões, oito deles voltados para a bovinocultura de corte. Desses, cinco serão presenciais e três virtuais. Luigi Carrer Filho (foto acima), Diretor de Atividade Pecuária e Melhoramento Genético da SRP, aponta que três leilões serão de gado de elite, onde serão comercializados animais com genética de elevada performance, ou seja, bovinos com potencial de produção de carne ou leite de alta qualidade.

“Os outros cinco leilões serão voltados para gado comercial, utilizados na produção de carne em escala industrial”. Nesses eventos, completa Carrer Filho, serão apresentados ao público, a maioria formado por pecuaristas oriundos de todo o Brasil, bezerros, novilhas e matrizes. Para esta edição, a organização separou os leilões de gado de corte em categorias: bezerros, bezerras e garrotes e animais sênior. Além dos eventos de comercialização de gado, a ExpoLondrina realizará dois leilões de gado de leite, um de equinos e outro de ovinos, totalizando os 12 leilões.

NELORE E BRANGUS

Além do Nelore, uma das principais raças utilizadas na produção de carne em escala industrial, outra classe que será leiloada é a Brangus. De origem norte-americana, o animal é fruto do cruzamento das raças Angus com Zebu Brahman, que resultou no touro Brangus, com características de alta produtividade e resistência, segundo a associação que representa o setor.

PURUNÃ

Outra raça que será destaque nos leilões será a Purunã. A raça de origem paranaense foi obtida por pesquisadores do Iapar (atual IDR-Paraná) a partir de cruzamentos dirigidos e seleções controladas, envolvendo quatro tipos: Caracu, Charolês, Canchim e Aberdeen Angus. De acordo com o IDR, O Purunã é um animal rústico, tolerante ao calor e resistente ao carrapato e a outros parasitas. Além disso, a raça tem alta velocidade de ganho de peso e produz carcaças que oferecem alto rendimento com elevada porcentagem de carnes nobres e pequena capa de gordura.

LIMOSAN

Já o Limosan, que também será apresentado nos leilões da Expo, é uma oportunidade para quem busca desempenho. De origem francesa, a raça adiciona no cruzamento industrial com outras raças a qualidade de cria que, segundo a entidade que representa a raça, vem diferenciando das outras de grande tamanho e forte musculatura, o que contribui para melhorar o desempenho reprodutivo. O Brahman também será apresentado na Expo. O animal possui uma carcaça pesada e com excelente qualidade da carne, o que pode atender os mercados mais exigentes.

POTENCIAL DA PECUÁRIA

Cerca de 6 mil animais passarão pela ExpoLondrina 2024
Foto: Dayane Rebecchi/Assessoria ExpoLondrina

“O potencial da nossa pecuária é enorme. Londrina sempre esteve na vanguarda no que diz respeito à pecuária, seja de gado geral ou de elite”, avalia o diretor da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Luigi Carrer Filho. Ele acrescenta que o município tem uma grande tradição na pecuária de corte desde as importações realizadas pelo pioneiro Celso Garcia Cid, que na década de 1960 importou o gado Zebu para a região, além das raças Nelore, Gir e Guzerá. “Londrina foi polo do cruzamento industrial, com uma exposição muito diversificada, com todas as raças taurinas presentes”, observa.

Carrer Filho destaca que o cruzamento industrial resultou em toda essa precocidade e qualidade na carne produzida e no volume de produção de carne, que tornou o Brasil o maior exportador mundial de carne.

Entre leilões, julgamentos e outras atividades, passarão pelo parque de exposição este ano mais de 6 mil animais.

QUALIDADE DA CARNE

A qualidade da carne brasileira vem crescendo de forma exponencial, a exemplo de elevados índices de marmoreio – camada de gordura entre as fibras que proporciona maior sabor e maciez. Luigi Carrer Filho explica que mesmo não tendo o maior rebanho do Brasil, o Paraná é um dos mais tecnificados, ou seja, os produtores da região têm investido forte em qualidade.

“Uma das vantagens da pecuária paranaense, no que diz respeito à qualidade da carne, é exatamente a presença das cooperativas, que remuneram melhor o produtor que têm uma qualidade melhor no animal abatido”, destaca o diretor da Rural.

No Estado, segundo ele, normalmente são animais de melhor qualidade e adaptabilidade, fruto do cruzamento industrial, onde se utiliza uma matriz zebuína, com um sêmen de um taurino, com diversas raças que temos no mercado. Isso favorece a precocidade do animal, com carne de qualidade, com alto nível de espessura subcutânea, entre outras características positivas dispostas na genética do animal.

GENÉTICA

Sobre a qualidade genética, Carrer Filho destaca que nesta edição da ExpoLondrina haverá a 1ª edição da Expogenética. O diretor da Rural explica que o evento tem por objetivo apresentar os trabalhos dos produtores que levarão para o evento todo o desenvolvimento genético em suas propriedades com o objetivo de elevar o índice de produtividade.

O diretor destaca que o melhoramento genético revolucionou a pecuária e o dia a dia nas propriedades. “Antigamente, se abatia um boi com 5, 6 anos, hoje se abate com 18, 24 meses. Antes se emprenhava uma vaca com 4 anos, hoje isso é feito aos 14 meses. Tudo isso é a genética associada à nutrição e sanidade, é um tripé que envolve o uso de tecnologias, avaliação dos animais em vários aspectos, como habilidade materna, precocidade sexual, intervalo entre partos, stay habilit (tempo de permanência da fêmea na propriedade). Com essa avaliação se faz o melhoramento genético e a seleção dos melhores animais pelas habilidades deles”, descreve.

Receba as notícias direto no seu Whats!

Expediente